Mulheres que pegam a estrada: o protagonismo feminino no filme de estrada latino-americano dos anos 2000
- 30 de out. de 2025
- 10 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2025

Por Mariana Mól | Ensaios
Quando se pensa em filmes de estrada, a imagem que comumente se apresenta é uma paisagem esvaziada de uma estrada, um veículo e a personagem viajante que vai empreender o trajeto e conduzir a narrativa do filme. Um emblema dessa iconografia é Sem destino (Easy rider – EUA, 1969), dirigido por Dennis Hopper, com o cenário desértico dos Estados Unidos, duas motocicletas e os protagonistas Billy e Wyatt, interpretados, respectivamente, pelo próprio Hopper e Peter Fonda. Também conhecida como road movie, essa modalidade dramática desenvolve ação e os conflitos durante uma viagem ao longo de uma estrada, muitas vezes transformando internamente (e intensamente) as personagens. O gênero cinematográfico ganhou evidência nos Estados Unidos, no final dos anos 1960, com o cinema moderno produzido pelos autores da Nova Hollywood. Tratavam-se de filmes independentes, veículos de sensibilidades e de rebelião contracultural da época. Logo o gênero rompeu as fronteiras estadunidenses, sendo transformado e reinventado nas narrativas produzidas pelo mundo, e também pela América Latina, até os dias atuais. Por muito tempo, o road movie enfatizou o movimento de personagens homens; às mulheres restavam papéis secundários, algum tempo de tela e funções narrativas pouco complexas – a maioria como “escada” para os viajantes protagonistas durante suas trajetórias de transformação interna.
Em 1991, o diretor Ridley Scott lançou Thelma & Louise, outro sucesso mundial que se tornou representativo do gênero: em meio à paisagem do Grand Canyon, duas viajantes mulheres conduzem um conversível pela estrada. Interpretadas por Geena Davis e Susan Sarandon, Thelma e Louise são duas mulheres fortes, protagonistas que mobilizam a trama, mas que acabam pagando um alto preço pela escolha pela liberdade e emancipação. O final trágico das personagens foi pouco questionado no momento de lançamento do filme, perto da novidade de se ter duas wild women na tela. Sinais daqueles tempos.
Mas a proposta deste texto é investigar o protagonismo feminino nos filmes de estrada latino-americanos, no recorte de três longas-metragens realizados a partir dos anos 2000: Qué tan lejos (Equador, 2006), direção e produção de Tania Hermida e produzido por Mary Palacios e Gervasio Iglesias; As filhas do fogo (Las hijas del fuego, Argentina, 2018), direção e produção de Albertina Carri e produzido por Eugenia Campos Guevara; e Suçuarana (Brasil, 2024), dirigido por Clarissa Campolina e Sérgio Borges e produzido por Luana Melgaço. A ideia aqui é olhar para o gênero cinematográfico que, assim como todo o cinema, também se transformou. A partir das três obras, pretende-se apontar como o filme de estrada latino-americano contemporâneo ampliou horizontes, diversificou suas personagens e mirou em outros caminhos para o gênero, a partir das protagonistas mulheres, de outras representações femininas e de novos códigos de conduta e objetivos das viajantes narradas. Quem são Esperanza e Teresa (Qué tan lejos), Augustina, Violeta e Carmen (As filhas do fogo) e Dora (Suçuarana)? Quando é que elas pegam a estrada? Quais as motivações, os destinos, as experiências, os desfechos e as visualidades impressas nestas narrativas?
A produção contemporânea na América Latina, fruto das mudanças sociais dos nossos tempos, apresenta um maior protagonismo feminino nas obras, na frente e por trás das câmeras. Há uma maior presença de mulheres como personagens principais dos filmes, assim como um maior número de diretoras e produtoras. À luz da teoria feminista do cinema, é necessário estabelecer um percurso histórico da presença da mulher no cinema e desconstruir os fundamentos que encaminham diferentes possibilidades de interpretação nos filmes. “Oferecer uma nova visão sobre a linguagem cinematográfica é uma forma de subverter as bases nas quais se sustenta historicamente o cinema” (Kamita, 2017, p. 1394). A questão da representação da mulher sempre foi um tema central para o feminismo, desde os primórdios do movimento feminista. No cinema, o gesto não pode ser diferente: discutir como somos apresentadas, quais papéis desempenhamos, qual espaço ocupamos na narrativa, no roteiro e na cadeia produtiva é urgente.
Primeiro longa da diretora equatoriana Tania Hermida, Qué tan lejos conta a história de duas mulheres que viajam juntas de Quito a Cuenca: a espanhola Esperanza (Tania Martínez) e a equatoriana Teresa (Cecilia Vallejo). As duas se conhecem no ônibus: Esperanza viaja de férias e Teresa pretende impedir o casamento de seu namorado com outra. Duas mulheres com objetivos e personalidades distintas: a primeira é condescendente, prática e despolitizada; enquanto a segunda é cabeça-dura, idealista e culta. Desde o início da trama somos apresentadas às duas personagens a partir de suas diferenças: Esperanza se maravilha com a paisagem, Teresa ironiza os colonizadores; a espanhola não tem direção definida e deseja absorver tudo em volta, a equatoriana tem urgência, é ríspida e cheia de conceitos e preconceitos.
Durante todo o trajeto que empreendem juntas, elas transitam de ônibus, de carona e a pé – o país está parado por uma greve geral –, passando por espaços urbanos, estradas rurais, trilhas em meio a plantações e praias. À medida que deixam os veículos e começam a andar por caminhos alternativos para chegar à Cuenca, a paisagem vai ficando mais esvaziada, como um espaço propenso à internalização das duas personagens. Na estrada, apesar dos embates, elas se tornam amigas e também passam a questionar seus sonhos e desejos iniciais.
As duas protagonistas dividem o trajeto e o tempo de tela do filme. Com passados, perspectivas e objetivos completamente diferentes, a partir do momento em que caem na estrada – ou melhor, quando começam a andar –, elas se conhecem melhor e redefinem as escolhas que as colocaram no caminho inicialmente. Ao longo da viagem, a convivência entre elas e o encontro com as pessoas que aparecem no caminho vão enriquecendo a ótica e opinião de cada uma sobre suas verdades tão inabaláveis. A viagem se torna uma trajetória de aprendizagem, de como cada pessoa vê o mundo e de como a convivência com o outro (o diferente) pode modificar a própria vivência.
Qué tan lejos começa com Esperanza versus Teresa, mas ao final o encontro das duas resulta numa soma positiva. E esse encontro é potencializado pela viagem, pelo companheirismo e pela experiência empreendida juntas. O filme reforça um ideal feminista quando mostra que duas mulheres podem ser protagonistas e ter visões distintas de mundo e de si mesmas. Andrea Molfetta (2012) escreve que as duas mulheres são aspectos de uma mesma, representantes de uma cultura ao mesmo tempo local e estrangeira e, consequentemente, mestiça. “As duas juntas são como uma mandala, fragmentos complementários de uma grande personagem em situação existencial – a Mulher – tão feminina à trama quanto é o próprio nome do nosso continente, América Latina, mistura instável de colonizador e colonizado” (Molfetta, 2012, p. 140).
Em As filhas do fogo temos um grupo de mulheres viajando juntas, numa Kombi, pelas paisagens congeladas da Terra do Fogo, na Argentina, numa jornada poliamorosa do prazer lésbico. O longa da diretora argentina Albertina Carri se apresenta como um filme pornô, poético e coletivo, feito por mulheres e para mulheres (dentro e fora das telas). Antes mesmo de conhecermos as personagens da trama, a narração traz um manifesto:
Nós somos netas, bisnetas, filhas e irmãs daquelas que fizeram de sua arte, de seus corpos, de seu território e de sua paisagem tochas heréticas, que iluminaram um novo céu. Somos as filhas do fogo. O problema nunca é a representação dos corpos. O problema é como esses corpos se tornam território e paisagem diante da câmera (As filhas do fogo, 2018: 9’).
A trama começa com a nadadora Agustina (Mijal Katzowicz) recebendo sua namorada, a diretora Violeta (Carolina Alamino), que chega a Ushuaia de navio. No bar, ao serem chamadas de “sapatonas” por um homem, elas conhecem Carmen (Rocio Zuvíria) e juntas descem a porrada nos caras que as hostilizaram. As três fogem do lugar, se conhecem, transam e, no dia seguinte, para fugir da polícia, decidem sair da cidade. A viagem pelo interior começa com o objetivo de buscar uma amiga, visitar a mãe de Agustina e principalmente o de realizar o desejo de Violeta: fazer um filme pornô lésbico. É durante o trajeto que as três mulheres dividem intimidades, afeto e prazer. E, a cada parada, outras mulheres são integradas à viagem, à história que nós, espectadoras, estamos vendo e ao filme realizado por elas. No filme dentro do filme, vemos mulheres lésbicas, queers, trans, gordas, livres, numa construção ampliada de personagens viajantes.
Como um filme de estrada pornô, a obra usa diálogos econômicos entre as personagens e abusa de primeiros planos dos corpos e da duração das cenas, seja de sexo entre duas, três ou todo o grupo viajante – que chega ao total de oito. O filme rompe com a estrutura tradicional dos três atos (apresentação de personagens, desenvolvimento da trama e resolução), ao colocar o desejo como fluxo da direção da viagem. O longa celebra uma perspectiva diversa da existência feminina e aposta no poder da imagem a partir desse grupo de mulheres e de um outro modo de representação dos corpos. Não estamos somente desacostumados a ver personagens mulheres gordas, trans, livres, nas telas; estamos desacostumadas ao protagonismo feminino na condução das cenas de sexo, de gozo, inclusive com outras mulheres. Carri é de certa forma didática ao focar nos movimentos dos corpos, no desejo nos rostos e, ainda, ao deixar a duração inteira de uma masturbação até o gozo das personagens – seja na abertura, no meio e ao final do filme.
Mais que um filme pornográfico, a radicalidade da obra se instaura na forma como a câmera se aproxima e registra essas mulheres, não como objetos do olhar externo, mas como corpos desejantes e desejados. O filme afirma a existência, a beleza e a diversidade dessa comunidade de mulheres que viaja, se descobre, se diverte, se protege e goza junto. Aos personagens homens restam papéis e falas asquerosas, violentas e que refletem o mundo patriarcal e tradicional em que vivemos. Mas as filhas do fogo são vozes dissonantes, reagem com violência, agilidade e em conjunto para afastar as inconvenientes pedras do caminho e reinventar sua própria jornada.
No filme de estrada, as jornadas das personagens também se tornam psicológicas: as pessoas pegam a estrada e, ao mesmo tempo, são pegos por ela e seguem movidos por buscas pessoais de mudança e conflitos internos. Ao acompanharmos seus passos, constatamos que as crises de identidade são das protagonistas viajantes e que também refletem tensões de uma cultura, de um país.
Esse gesto crítico e político está presente em Suçuarana, dirigido pelos brasileiros Clarissa Campolina e Sérgio Borges. Dora (Sinara Teles) é a protagonista deste filme que mostra as paisagens de Minas Gerais exauridas pela mineração e marcadas pelas várias formas de exploração das terras, do trabalho e, consequentemente, de seus habitantes. Ela é uma andarilha que segue a pé, pega ônibus, pede carona, em busca das terras de sua mãe, no Vale do Sussuarana – lugar que ninguém sabe onde fica. Dora é forte, arisca, não teme o duro trabalho da estrada, e é de poucas palavras. Ela não tem pouso, não tem filhos, e nada a prende. Dona de poucos pertences, tudo o que ela precisa para se virar cabe nas suas mochilas. Pelo trajeto, ela busca por trabalho, algum dinheiro e pouso breve.
Na primeira parte do filme, acompanhamos o deslocamento da personagem pelas estradas. As cenas são mais rápidas, com planos abertos das paisagens, e a trilha é mais metálica e ruidosa, com o som de veículos no asfalto. No caminho, Dora conhece outras mulheres – que dividem com ela suas experiências de vida, outros homens – alguns se tornam parceiros, outros interesseiros, mas ela acaba se conectando com um cachorro de rua – que dá o nome de Encrenca (Tony Stark). Assim como as oportunidades nessa primeira parte, os diálogos de Dora são escassos.
Após um incidente, Dora reencontra Encrenca, e eles adentram um túnel. Do outro lado, ela encontra uma comunidade, onde ela se estabelece por uma temporada, e lá consegue comida, casa, trabalho, amigos e uma relação de pertencimento. Agora os planos são em conjunto, mas também temos planos aproximados dos rostos, das ações de trabalho e de detalhes dos membros da comunidade. A trilha sonora se torna mais suave (ouvimos o vento e os pássaros) e os diálogos estão mais presentes para marcar uma harmonia e coletividade do lugar. Essa divisão narrativa do filme é acompanhada pela escolha estética de filmar cada parte de uma forma: o primeiro registro é em digital e o segundo em película, 16mm. No segundo momento, o registro acompanha uma aproximação ao realismo fantástico com a reaparição do cachorro (guia de Dora) e a presença desta comunidade depois do túnel.
Mesmo em comunhão com a coletividade, Dora não se rende e logo decide voltar para a estrada. Mas, após toda caminhada, encontros e relações construídas, ela já não é mais a mesma mulher. E, assim, entendemos que a sua essência é o movimento e ela não negocia sua liberdade. Seu caminho segue aberto. Campolina e Borges constroem uma narrativa feminista ao afirmar que o lugar da mulher é onde ela quiser. Dora é uma personagem dona de si, autônoma, que faz da estrada seu lar. Partindo do princípio de que o pessoal também é político, Suçuarana não somente traz uma protagonista forte, mas também reconfigura espaços e papéis ocupados pelas outras personagens mulheres do filme: elas são donas de bar, cantoras da noite, líderes de comunidade, todas donas de seu próprio destino e independentes.
Antes da parada final
Um projeto crítico de cinema feminista precisa tornar visível o que passa desapercebido, e que pode dar a entender como inexistente, e leva em conta não apenas a representação da mulher na tela, mas também sua participação na indústria cinematográfica. O sentido feminino nos filmes deve estar à frente e por trás das câmeras: na ação das personagens mulheres e nas escolhas e defesas das produtoras e diretoras que optam por departamentos liderados por mulheres, que decidem por temas insurgentes, histórias não convencionais e que constroem novas imagens da mulher, do feminino e do que se deseja chamar de cinema.
Os três filmes, de diferentes formas e em territórios de viagem distintos, permitem um novo olhar para a participação das mulheres no gênero cinematográfico do filme de estrada. Cada um à sua maneira constrói uma representação feminina complexa, múltipla, diversa e arriscada. Esperanza, Teresa, Agustina, Carmen, Violeta e Dora destroem a ideia simplista e binária de que homens dominam a vida e o meio social e a elas resta somente o espaço doméstico, o cuidado familiar ou a maternidade. Desta forma, Hermida, Carri, Campolina e Borges implodem com premissas estabelecidas, tradicionais e patriarcais, da sociedade e do cinema, e dão outras dimensões e ampliam perspectivas para essas protagonistas mulheres que pegam as estradas.
Referências
KAMITA, Rosana Cássia. Relações de gênero no cinema: contestações e resistência. In: Revista Estudos Feministas. Florianópolis, vol. 2, nº 3, 2017, pp. 1393-1404. Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/48996
MOLFETTA, Andrea. A personagem na natureza: filmes latino-americanos da virada do século. In: BRANDÃO, Alessandra, JULIANO, Dilma, LIRA, Ramayana (Orgs.). Políticas dos cinemas latino-americanos contemporâneos: múltiplos olhares sobre cinematografia latino-americana atual. Palhoça: Ed. Unisul, 2012.










![No novo ensaio publicado em nosso site, escrito sob o calor da exibição de Vámonos, Bárbara (1978) no Cineclube Ibero-americano Permanente, nesta quarta-feira, dia 17 de junho, Juliana Gusman destrincha como a cineasta espanhola Cecilia Bartolomé tensiona o texto matriz de Martin Scorsese (Alice Não Mora Mais Aqui) através de um exercício de distanciamento formal e discursivo.
Longe de se curvar às estéticas do norte global, o texto de Juliana reafirma a posição do filme na cartografia ibero-americana, costurando cumplicidades com o cinema de ruptura feito por mulheres aqui:
“Talvez Vamos, Bárbara se achegue mais, na verdade, de nosso próprio road movie feminista inaugural, Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina. [...] a Betinha de Cristina Pereira compartilha certas inadequações incendiárias com a Bárbara de Cristina Alvarez – para além da cabalística coincidencia no nome de suas intérpretes.”
Leia mais sobre a diretora e sua obra no ensaio de @juliana.gusman, escrito para o 3º encontro do Cineclube Ibero-americano Permanente, uma parceria entre Sara y Rosa, Cine Humberto Mauro do @palaciodasartes_ e Instituto Cervantes de BH.
🔗 Leia o ensaio completo em sarayrosa.com
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En un nuevo ensayo escrito a raíz de la proyección de Vámonos, Bárbara (1978) en el Cineclub Iberoamericano Permanente, Juliana Gusman analiza cómo la cineasta española Cecilia Bartolomé desafía el material de origen de "Alice Doesn’t Live Here Anymore" (de Martin Scorsese) mediante un ejercicio de distanciamiento formal y discursivo, y reafirma el lugar de la película en el panorama de cine iberoamericano, estableciendo vínculos con el cine pionero de mujeres aqui:
"Quizás Vamos, Bárbara acercase, de hecho, a nuestro propio roadmovie feminista inaugural "Mar de Rosas"(1977), de Ana Carolina. Felicidade, el personaje poco convencional de Norma Bengell, es más sombría que Ana y su destino, menos próspero, pero la Betinha de Cristina Pereira comparte ciertas deficiencias incendiarias con la Bárbara de Cristina Álvarez, más allá de la coincidencia cabalística en los nombres de sus intérpretes."
🔗 Lee el texto en sarayrosa.com](https://scontent-den2-1.cdninstagram.com/v/t51.82787-15/726575221_17917835919390781_4399166472106971886_n.jpg?stp=dst-jpg_e35_tt6&_nc_cat=110&ccb=7-5&_nc_sid=18de74&efg=eyJlZmdfdGFnIjoiQ0FST1VTRUxfSVRFTS5iZXN0X2ltYWdlX3VybGdlbi5DMyJ9&_nc_ohc=YjOaItwkuW8Q7kNvwHbvpUz&_nc_oc=AdrpdR_Mh_j23YUiOjM0e7d8FfqeoUL9UQfu-2Bz-X6nOAVk1zrGRxtj6aecpkLRR9E&_nc_zt=23&_nc_ht=scontent-den2-1.cdninstagram.com&edm=ANo9K5cEAAAA&_nc_gid=pNZlIhFeM3-jiUQ1I6gz9A&_nc_tpa=Q5bMBQFUZ0BYpVn_TzMPyAxCY-Lto5HcrSxfx7euVJOdL6IMfLHkSJKla06C3aM9SY6f0biVqi34_6ev&oh=00_AQDq9RZwhWTdPNxuf0DdpfWY2W1hPE2wtrWAr_khmWcLkw&oe=6A62EDFF)








![“Curar não é apenas escolher filmes; [...] é, antes de tudo, um exercício de escuta ao que pede passagem.”
Neste texto, Vanessa Santos defende a curadoria enquanto um campo relacional. Partindo da obra "Le Grand Calao", ela nos convida a romper com a lógica da exaustão e a enxergar o descanso como um gesto radical de resistência.
“Entre afetos, silêncios e partilhas, vai sendo tecida uma ode ao tempo feminino, numa atmosfera que desafia o peso do cotidiano e que irradia o desejo de existir fora das obrigações.”
Para Vanessa, o olhar curatorial é uma construção que atravessa memórias, desejos e a urgência de criar condições de aparecimento para narrativas historicamente marginalizadas. Aqui, programar filmes torna-se um ato de desobediência visual que recusa o fardo e reivindica o prazer.
Uma proposta essencial para quem pensa o cinema como um território vivo de disputas simbólicas e políticas.
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“Curar no es meramente elegir películas; [...] es, sobretodo, un ejercicio de escucha de aquello que busca abrirse paso.”
En este texto, Vanessa Santos defiende por la curaduría como un campo relacional. Tomando como referencia la obra "Le Grand Calao", ella nos invita a romper con la lógica del agotamiento y a concebir el descanso como un gesto radical de resistencia.
“Entre afectos, silencios y actos de compartir, se teje una oda al tiempo femenino; todo ello en una atmósfera que desafía el peso de lo cotidiano y irradia el deseo de existir más allá de la obligación”.
Para Vanessa, la mirada curatorial es un constructo que atraviesa memorias, deseos y la urgencia de crear las condiciones propicias para el surgimiento de narrativas históricamente marginadas. Aquí, la programación de películas se convierte en un acto de desobediencia visual que rechaza la carga y reivindica el placer.
Una propuesta imprescindible para todo aquel que conciba el cine como un territorio vivo de disputa simbólica y política.
🔗 Lee el texto completo en sarayrosa.com](https://scontent-den2-1.cdninstagram.com/v/t51.82787-15/704750670_17913389088390781_5809290323017999812_n.jpg?stp=dst-jpg_e35_tt6&_nc_cat=107&ccb=7-5&_nc_sid=18de74&efg=eyJlZmdfdGFnIjoiQ0FST1VTRUxfSVRFTS5iZXN0X2ltYWdlX3VybGdlbi5DMyJ9&_nc_ohc=PQnoY6BUrcsQ7kNvwHH-5Tz&_nc_oc=AdpO33IHUrGNzZW0ZyHPvq-dgT_IucavW3nX9lFAvrOIL3PjgybF17MuunIE6paZlSY&_nc_zt=23&_nc_ht=scontent-den2-1.cdninstagram.com&edm=ANo9K5cEAAAA&_nc_gid=pNZlIhFeM3-jiUQ1I6gz9A&_nc_tpa=Q5bMBQHHW1LFGejgHodgxyQ6moFN7SWfcOypVUhF2qNwDqxvQLbUrl51vSqqwlCC4-Ln-QHt35kJhDyD&oh=00_AQA7A9uJr__Ru5P26xL-cNVMrUwWHDQI5e--ZvSMowK7KQ&oe=6A62E7B6)



![“Sou um corpo dissidente do (cis)tema de sexo-gênero (…) Habito fronteiras.”
Neste ensaio, @luignascimento parte de si para atravessar o cinema: da ausência de referências à urgência de se ver em cena, das representações estereotipadas à construção de um cinema sapatão brasileiro contemporâneo, feito por quem vive essas experiências.
Entre apagamentos, “in/visibilidades” e narrativas marcadas por violência, o texto revela também as brechas — filmes, gestos e alianças que transformam o cinema em espaço de existência, desejo e criação.
“Há um senso de urgência que acompanha esse desejo […] urgência de falar para nós, por nós, mas também de gritar ao mundo quem somos e quem podemos ser.”
Um mergulho sensível e político em um cinema que se constrói no afeto, na coletividade e na invenção de outras possibilidades de vida.
🔗 Leia na íntegra em sarayrosa.com
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Entre las brechas sápatonas en el cine brasileño
Por Lui Nascimento
“Soy un cuerpo disidente del (cis)tema de sexo-género (…) Habito fronteras.”
En este ensayo, Lui Nascimento parte de su propia experiencia para atravesar el cine: desde la ausencia de referentes hasta la urgencia de verse en pantalla, de las representaciones estereotipadas a la construcción de un cine lesbiano contemporáneo en Brasil.
Entre invisibilidades y narrativas marcadas por la violencia, el texto también revela las grietas — películas, gestos y alianzas que transforman el cine en un espacio de deseo, existencia y creación.
“Hay una urgencia […] de hablar para nosotres, por nosotres, pero también de gritar al mundo quiénes somos y quiénes podemos ser.”
Un recorrido sensible y político por un cine que se construye desde el afecto, la colectividad y la invención de otros mundos posibles.
🔗 Lee el texto completo en sarayrosa.com
Imagens dos filmes “Peixe” (2019) de @ygcf_ysmn e “Minha história é outra” (2019) de Mariana Campos](https://scontent-den2-1.cdninstagram.com/v/t51.82787-15/693332325_17910936828390781_3741062162069005596_n.jpg?stp=dst-jpg_e35_tt6&_nc_cat=101&ccb=7-5&_nc_sid=18de74&efg=eyJlZmdfdGFnIjoiQ0FST1VTRUxfSVRFTS5iZXN0X2ltYWdlX3VybGdlbi5DMyJ9&_nc_ohc=vVhKdCf0HZQQ7kNvwEyU6PG&_nc_oc=AdoqZ6muNLAORBb7L8x39jeKOnJ0ajGtdBZcbRdx-Sd-HroWL7YK69N3a21XC-hF0kw&_nc_zt=23&_nc_ht=scontent-den2-1.cdninstagram.com&edm=ANo9K5cEAAAA&_nc_gid=pNZlIhFeM3-jiUQ1I6gz9A&_nc_tpa=Q5bMBQFZsmH13E9Q-AtNg8iO4UlCjAJ_XBI9V_57AoDuQS_C1YMhx7vVkoxYMBsIWjXjmfk-M-Vsz20m&oh=00_AQBW9RpJo72HQYIvlfIgavGlnCUZlaHNSxotDTOjSuVSGQ&oe=6A62E8D2)










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