Emaranhamentos em um ecossistema em função da crítica feminista: Verberenas, um espaço de diálogo sobre cultura audiovisual feito por mulheres

Por Glênis Cardoso | Metacriticas
Em 2015, algumas formandas e recém-formadas do curso de Audiovisual da Universidade de Brasília se reuniam para conversar sobre questões que estavam surgindo dentro da Faculdade de Comunicação. Se, a princípio, nos encontrávamos para falar sobre assuntos que nos afetavam diretamente no cotidiano da faculdade, outros incômodos pareceram encontrar espaço para serem expressados a partir dos laços que foram surgindo e se fortalecendo ao longo dos nossos encontros. Os incômodos e o sentimento de segurança para compartilhar unidos a um período propício para criação fez daquele ano de 2015 o momento perfeito para nos lançarmos no mundo. Uma das iniciativas da época foi a zine Minas Fazem Filmes, que confeccionamos para participar de uma feira gráfica feminista no Distrito Federal. E era exatamente isso que éramos e queríamos ser: minas que faziam filmes, jovens mulheres que tinham espaço, tempo e dignidade para poder existir no mundo audiovisual profissionalmente sem serem assediadas ou exploradas.
Logo percebemos, entretanto, que ocupar esse lugar seria complexo. Desde então, ficou cada vez mais claro que ser uma mulher e fazer filmes é mais do que ocupar uma função no set de filmagem. É mais do que sermos vistas, mais do que contar histórias de mulheres, mais do que ocupar cargos de chefia, mais até do que dirigir um filme. É tudo isso, mas não só: é todo um ecossistema que permite que o trabalho seja feito, e isso passa também pelo olhar que legitima os filmes, e foi assim que, não vendo nenhuma iniciativa parecida à época, criamos o Verberenas, um site onde nos colocávamos explicitamente como feministas e onde publicávamos ensaios, críticas e provocações sobre os filmes a que assistíamos. Inicialmente, não nos colocamos como críticas, porque, embora algumas de nós quisessem se aprofundar nesse caminho, nos víamos, antes de qualquer coisa, como realizadoras: escrever sobre cinema era uma forma de participar das conversas que aconteciam ao redor dos filmes, de acrescentar novas vozes – vozes muitas vezes dissidentes – que pudessem enriquecer o debate. Mas, nosso foco como indivíduos ainda era o fazer cinematográfico, daí nossa escolha por caracterizar o Verberenas como um espaço de diálogos sobre cultura audiovisual por mulheres realizadoras.
Em 2017, decidimos mudar nossa forma de publicação: o site passou a existir como uma revista digital de cinema com edições periódicas. Ao longo dos primeiros anos de existência do Verberenas, os filmes que nos interessavam e nossos focos de pesquisa foram tomando contornos mais claros. Escrevíamos principalmente sobre cinema brasileiro, cinema feito por mulheres e cinema independente, levando em consideração questões caras a nós como gênero, classe, raça, territórios e trabalho. Conforme nossa escrita se tornava mais delineada e se aprofundava, começamos a ser convidadas a compor paineis como críticas para comentar, por exemplo, filmes da Mostra Aurora, uma janela importante do cinema contemporâneo brasileiro que acontece na Mostra Tiradentes no interior de Minas Gerais. Aos poucos, passamos a ocupar outros espaços no ecossistema audiovisual, isso se deu principalmente quando nos vimos recebendo convites para participar de curadorias em festivais e cineclubes pelo país.
A expansão do nosso trabalho de realizadoras a críticas e curadoras, ao mesmo tempo que sentíamos cada vez mais uma necessidade de retorno financeiro para que seguíssemos fazendo o Verberenas com o cuidado que tínhamos colocado na revista até então, nos inspirou a escrever um projeto para um fundo de apoio cultural no DF. Estávamos inspiradas pelo desejo de que o trabalho que fazíamos como críticas e curadoras passasse a compreender outra dimensão do ecossistema pelo qual nos embrenhávamos: a exibição de filmes. Propomos em nosso projeto a exibição de quatro sessões de longas-metragens de mulheres do Brasil e do mundo ao longo de um ano, cada sessão seguida de um debate com uma pesquisadora brasileira e acompanhada da publicação de uma nova edição da nossa revista.
Executamos o projeto em 2021, um período particularmente inóspito à vida e à liberdade devido à pandemia de COVID-19 e ao governo de extrema direita que se encontrava no poder. Devido às circunstâncias, as sessões, pensadas originalmente para serem feitas presencialmente, se deram no espaço virtual. Foi um ano intenso de muito trabalho, muitos textos, reuniões longas, mas também de pequenas e grandes celebrações por termos concluído um ciclo importante de um projeto que nos lançou no mundo de diversas formas.
O retorno financeiro para um projeto ambicioso como esse, infelizmente, estava aquém do tempo e empenho que colocamos nele. Nos víamos cada vez mais exaustas tendo que lidar com diversas outras demandas e trabalhos que nos permitissem uma vida plena. Além disso, seguíamos interessadas como indivíduos em seguir desbravando o ecossistema audiovisual em diferentes capacidades. A realização, a crítica, a curadoria foram o início, e nós seguimos em nossos diferentes caminhos nos aventurando pela academia, pela preservação e pela distribuição de filmes.
O Verberenas segue no ar, e ainda temos planos para que um dia ele seja publicado fisicamente, dando uma nova forma e corpo ao trabalho ao que nos dedicamos com profundo cuidado e, por que não, amor.
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Imagem: Capa do Vol. 7, nº 08, 2021 da Revista Verberenas.




![Em nova entrevista publicada no site, Anna Lia conversa com a cineasta Denise Vieira sobre seu longa de estreia, Sabes de Mim, Agora Esqueça (2026), que foi exibido na Mostra Horizontes da 20ª CineBH.
A conversa mergulha nas visões da diretora sobre o cinema brasileiro feito a partir da periferia e por mulheres. Denise reflete sobre o processo de construção compartilhado com as atrizes, a urgência de redefinir o cinema popular fora dos padrões hegemônicos e a potência de uma criação guiada pela intuição e pelo erótico que vai em contramão da racionalidade:
“[...] o cinema é um jeito de adentrar em coisas que são complexas e ver sentimentos, lados que às vezes são opacos, podendo adentrar outros universos.”
🔗 Leia a entrevista completa em sarayrosa.com
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En una nueva entrevista publicada en el site, Anna Lia conversa con la cineasta Denise Vieira sobre su largometraje de debut, "Sabes de Mim, Agora Esqueça" (2026), que se proyectó en la sección Horizontes de la 20ª edición de CineBH.
La conversación profundiza en la visión de la directora sobre el cine brasileño realizado desde la periferia y por mujeres. Denise reflexiona sobre el proceso de construcción compartido con las actrices, la urgencia de redefinir el cine popular al margen de los estándares hegemónicos y la potencia de una creación guiada por la intuición y lo erótico, que se aleja de la racionalidad:
"[...] el cine es una manera de adentrarse en cosas que son complejas y ver sentimientos, lados que a veces son opacos, pudiendo entrar en otros universos".
🔗 Lee la entrevista completa en sarayrosa.com](https://scontent-sea5-1.cdninstagram.com/v/t51.82787-15/849508579_17937437964390781_2655953640829663480_n.jpg?stp=dst-jpg_e35_tt6&_nc_cat=108&ccb=7-5&_nc_sid=18de74&efg=eyJlZmdfdGFnIjoiQ0FST1VTRUxfSVRFTS5iZXN0X2ltYWdlX3VybGdlbi5DMyJ9&_nc_ohc=QvrHfJloTAwQ7kNvwGuIhIR&_nc_oc=AdpDHabNxe-7bTa39BG-jIWdG_u-aru6u7vjx8Ys-mHqQu4JC1pkHHo79qTnn4fovfw&_nc_zt=23&_nc_ht=scontent-sea5-1.cdninstagram.com&edm=ANo9K5cEAAAA&_nc_gid=Ze0fwRHf7q8C51K_3-vWlg&_nc_tpa=Q5bMBQKONlO5JmqbNhWaWHoGgGzrirMMMRCrgHtRos0DbzzIeNsXKJB6Dn9XCVJgKedrtY8fCUdWiZ2D&oh=00_AQNXy-uy6nseRH87c3RG1_0Om3Sy6aZ85SJnhLvfQEXg_A&oe=6ADF3E8F)







![A partir da exibição de "Virtuosas" na 20ª CineBH, em novo texto do site, Nayara Aguiar destrincha como a diretora Cíntia Domit Bittar articula as mecânicas do fundamentalismo religioso no Brasil contemporâneo.
Ao articular a lógica de mercado da fé e a vigilância moral exercida entre as próprias mulheres, o texto investiga as raízes dessa violência e a escolha da linguagem do terror:
"É no pathos específico das políticas afetivas deturpadas do fundamentalismo religioso que nasce um moralismo pungente e, desse moralismo, uma violência [...] fria na engrenagem que a arquiteta, quente nas mãos que as executam — um terror naturalista, afinal, onde mais se travaria um filme do gênero senão em Santa Catarina?”
🔗 Leia a crítica completa em sarayrosa.com
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Tras la proyección de "Virtuosas" en la 20ª Muestra CineBH, Nayara Aguiar diseca en el nuevo artículo en el site cómo la directora Cíntia Domit Bittar articula la mecánica del fundamentalismo religioso en el Brasil contemporáneo.
Al vincular la lógica mercantil de la fe con la vigilancia moral ejercida sobre las propias mujeres, el texto investiga las raíces de esta violencia y la elección del lenguaje del terror:
"Es en el pathos específico de las políticas afectivas deturpadas del fundamentalismo religioso donde nace un moralismo punzante y, de ese moralismo, una violencia que la película de Cíntia Domit Bittar transforma en propuesta: fría en el engranaje que la arquitecta, cálida en la mano que la ejecuta — un terror naturalista, al fin y al cabo, ¿dónde más se libraría una película del género sino en Santa Catarina?"
🔗 Lea la crítica completa en sarayrosa.com](https://scontent-sea5-1.cdninstagram.com/v/t51.82787-15/825270038_17934869712390781_1812860770498213797_n.jpg?stp=dst-jpg_e35_tt6&_nc_cat=106&ccb=7-5&_nc_sid=18de74&efg=eyJlZmdfdGFnIjoiQ0FST1VTRUxfSVRFTS5iZXN0X2ltYWdlX3VybGdlbi5DMyJ9&_nc_ohc=0OWpA3cyJHoQ7kNvwHCQ_qQ&_nc_oc=Ado6y9_H-p637MyPnlJDPPAEJJiNZ60C_6EW05LT-vQs5-E2b5iKagrqwo6ntUuci4U&_nc_zt=23&_nc_ht=scontent-sea5-1.cdninstagram.com&edm=ANo9K5cEAAAA&_nc_gid=Ze0fwRHf7q8C51K_3-vWlg&_nc_tpa=Q5bMBQIpO-XhtHOyAGd0Qg-7pngd9RB-1IPga3e8VsKoUxMmq98fgnrpurlBbNjgpsmqpPirNZ8oFQ2f&oh=00_AQNoznopj9bdc1JeIkky7FI2_jyy8uHsnmZ67DTwiQIeqw&oe=6ADF5396)





















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